Crítica: Pânico 7 | Focado na nostalgia mas com roteiro raso

Pânico 7 estreia nos cinemas com duras críticas de fãs e avaliações negativas

A franquia de terror Scream marcou gerações desde os anos 90, misturando suspense, violência e um toque de humor metalinguístico que critica os próprios clichês do gênero slasher. Agora, a saga retorna com Scream 7, o próximo capítulo de uma das séries mais icônicas do terror no cinema.

 

O novo filme promete continuar a tradição da franquia ao trazer mais um confronto mortal com o misterioso assassino mascarado conhecido como Ghostface. Desde sua primeira aparição, o personagem se tornou um símbolo do terror moderno, sempre surgindo com novas identidades por trás da máscara e criando jogos psicológicos com suas vítimas.

 

A franquia se consolidou no gênero de terror, trazendo uma grande mudança no cenário, que antes tinha como foco tornar mulheres “puras” em “Final Girls”. Todo e qualquer pecado que fugisse do esteriótipo de mulher recatada era cruelmente assassinado nestes filmes. Pânico não só revolucionou o gênero, como trouxe uma nova imagem para a tão adorada “Final Girl”, com Sidney Prescott.

 

Em Scream 7, a história deve explorar novamente o legado de violência que acompanha os sobreviventes dos filmes anteriores, enquanto uma nova onda de crimes começa a surgir. Entre teorias de fãs, expectativas altas e possíveis retornos de personagens clássicos, o filme já se tornou um dos lançamentos mais aguardados pelos amantes do gênero, mesmo com todas as confusões de bastidores e duras críticas ao desenrolar do projeto.

 

Mantendo a mistura de suspense, mistério e comentários sobre a cultura do terror, Scream 7 busca continuar a evolução da franquia enquanto presta homenagem às suas origens. Para quem acompanha a saga desde o primeiro filme, cada novo capítulo traz a mesma pergunta que nunca sai de moda: quem está por trás da máscara desta vez?

 

 

A produção de Scream 7 passou por uma grande turbulência nos bastidores após a saída de duas das protagonistas da nova fase da franquia: Melissa Barrera e Jenna Ortega. As duas interpretavam as irmãs Sam e Tara Carpenter, personagens centrais em Scream e Scream VI, que ajudaram a renovar a franquia para uma nova geração.

 

A primeira grande mudança aconteceu em novembro de 2023, quando Melissa Barrera foi demitida do projeto após publicar nas redes sociais mensagens relacionadas ao conflito entre Israel e Palestina. A produtora Spyglass Media afirmou que os comentários ultrapassavam os limites e poderiam ser interpretados como discurso de ódio, decisão que gerou muita controvérsia entre fãs e profissionais da indústria. Barrera, por sua vez, declarou que suas publicações eram um posicionamento em defesa de direitos humanos.

 

Pouco tempo depois, Jenna Ortega também deixou o filme. Inicialmente, foi divulgado que sua saída teria acontecido por conflitos de agenda com a série Wandinha, da qual ela é protagonista. No entanto, a atriz explicou posteriormente que o motivo real estava ligado às mudanças no projeto. Segundo Ortega, após a demissão de Barrera e a saída de parte da equipe criativa, o filme deixou de ter as pessoas com quem ela queria trabalhar, fazendo com que continuar na franquia não parecesse mais a decisão certa para sua carreira naquele momento.

 

A saída das duas atrizes causou um efeito dominó na produção. O diretor Christopher Landon, que havia sido contratado para comandar o filme, também deixou o projeto pouco depois, afirmando que o longa para o qual ele havia sido contratado “já não existia mais” após tantas mudanças. Com isso, Scream 7 passou por uma reformulação criativa antes de seguir adiante com uma nova direção e uma história diferente da planejada originalmente.

 

Essa sequência de acontecimentos acabou transformando Pânico 7 em um dos filmes mais comentados da franquia antes mesmo de chegar aos cinemas, dividindo opiniões entre fãs e levantando debates sobre decisões criativas e posicionamentos políticos na indústria do entretenimento. Além disso, foi duramente criticado após fazer uma campanha para casa de apostas antes de seu lançamento.

 

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Crítica

Apesar de toda a expectativa em torno de Scream 7, muitos fãs ficaram divididos após o lançamento. As mudanças nos bastidores e a saída de nomes importantes do elenco acabaram influenciando a percepção do público sobre o rumo da franquia. E, como fã da saga desde os primeiros filmes, é impossível assistir ao novo capítulo sem fazer algumas comparações com o que veio antes.

 

Ontem eu reassisti o primeiro Scream e algumas coisas em Scream 7 me chamaram muito a atenção, principalmente porque existem cenas praticamente idênticas. Um exemplo claro é a sequência do toque de recolher, quando todo mundo começa a fechar portas e se trancar em casa. A construção da cena, a sequência de pessoas e até o clima lembram demais o original.

 

Apesar da ideia de trazer esses detalhes de cena, personagens antigos, e até manter a mesma cena do Ghostface golpeando os gêmeos no mesmo lugar dos últimos 2 filmes (ombro de Chad e barriga de Mindy) ser boa,algo que já funcionou bem em Scream VI, nesse caso pareceu mais uma tentativa desesperada de agradar os fãs e evitar que o filme flopasse.

 

No sexto filme, eu senti que a franquia estava tentando fazer algo novo, uma reviravolta interessante dentro do universo da história. Claro, eu entendo que em um slasher não existe muito para onde fugir em termos de estrutura. Porém o filme perde mais tempo tentando te mostrar easter eggs dos primeiros filmes, como o nome da filha em homenagem à Tatum, do que criar uma história. Ainda assim, Scream 7 não é completamente ruim, especialmente se você for fã da franquia e conseguir ignorar um pouco os problemas e polêmicas que aconteceram nos bastidores.

 

Mas o grande problema é que falta tempero. Falta aquela tensão clássica da saga: a dúvida constante sobre quem é o Ghostface, a construção de suspeitos, a conexão emocional com os personagens. Falta, basicamente, a essência de Pânico. Neste último filme, tive muito a sensação de que simplesmente jogaram a máscara do Ghostface em qualquer pessoa do elenco, sem aquela construção cuidadosa que sempre foi uma das marcas da franquia.

 

Os gêmeos Chad e Mindy se tornaram sombras de Gale, tirando toda a personalidade marcante de investigação dos dois e os tornando pessoas preocupadas com uma imagem midiática. Cade a Mindy, viciada em teorias tiradas de filmes de terror, e Chad super protetor que não tem medo de procurar por pistas? São características construídas ao decorrer da franquia marcantes que fazem juz ao tio Randy, e que se perderam neste filme.

 

No final das contas, como filme slasher ele é ok. Mas como um filme da franquia Pânico… é uma tristeza. Mas pode te entreter em uma noite de filmes.

Autor

  • Dessa

    Andressa é formada em Design, especializada em Design Digital e Gráfico, Audiovisual e Produção de Conteúdo. Gamer desde criança, além de criar conteúdo para o Corujão e seu canal de games, também já integrou o Podcast Super Game Brothers.

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